quarta-feira, 13 de outubro de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Razões do Corpo
RAZÕES DO CORPO
Belém-Pa, abril de 2010
Elieni Tenório
Artista Plástica
Minha trajetória artística tem sido marcada pelo universo feminino o qual busco expressar através de um repertório plástico que inclui a diversidade de cores, formas e superfícies.
Ao longo do tempo, intensifiquei minhas pesquisas e utilizei várias técnicas sem, contudo, distanciar-me de minha identidade pictórica, porém, num processo gradativo de construção/desconstrução.
Avalio a fase atual de minha produção artística como uma síntese de minha trajetória, uma ampliação de meu universo plástico e das formas com as quais represento as práticas femininas. A exuberância de cores e a multiplicidade de informações, características da fase inicial cederam lugar ao abstrato, e com ele vieram as linhas gráficas revestindo a superfície de telas mapeando os suportes como segunda pele.
Considero de fundamental importância no meu processo de criação artística os esboços dos objetos. Os desenhos buscam a melhor adequação dos objetos aos suportes, em particular no que se refere aos manequins, e ainda permitem exercitar as possíveis soluções quanto a sua arquitetura. Neste sentido, são importantes também as pesquisas que venho realizando com o tecido visando obter a coloração e a consistência desejadas
para os objetos, utilizando tinta, pigmentos diversos e cola.
Esse processo, não linear, é desafiador. É um processo de construção/desconstrução que tem como referencial a roupa enquanto segunda pele. O produto do meu trabalho não tem compromisso com o utilitário, transcende a indumentária, revela fantasias e transita entre a tênue fronteira que separa o sensual e o erótico. É nesse contexto que venho trabalhando o corselete, utilizando diversas técnicas. Como observou a curadora Marisa Mokarzel, “índices de intensa sexualidade percorrem o universo feminino, cobrem de sensualidade as configurações arredondadas de seios e quadris que impregnam o corselete. A mulher ausente da peça exposta, virtualmente, impõe-se à forma”.
O meu fazer artístico está vinculado às influências do contexto social, econômico e cultural: a leitura que faço do cotidiano ( das mulheres, da periferia, das mazelas sociais, do descompromisso político) está expressa de uma forma ou de outra nos meus trabalhos, como mostrado nas individuais “Suburbano Coração”, “Espelhos da Alma”, “Nos Bastidores da Vida”, “Essência do Feminino”, “Nos Tempos do Apagão: aventuras e desventuras”, “Entrelinhas” e “Obsessão”, entre outras,
As minhas obras que serão mostradas na exposição “Eu e o Homem” foram produzidas com a utilização de papel de parede, tecido e caneta retroprojetor. Trata-se de um exercício na busca da harmonia entre cores, traços e suporte, e , ao mesmo tempo, uma proposta associada ao tema do Dia Internacional dos Museus no ano de 2010: harmonia social, conceito que tem como principais características “o diálogo, a tolerância, a coexistência e o desenvolvimento, baseados no pluralismo, diversidade, competição e criatividade”.
Ao longo do tempo, intensifiquei minhas pesquisas e utilizei várias técnicas sem, contudo, distanciar-me de minha identidade pictórica, porém, num processo gradativo de construção/desconstrução.
Avalio a fase atual de minha produção artística como uma síntese de minha trajetória, uma ampliação de meu universo plástico e das formas com as quais represento as práticas femininas. A exuberância de cores e a multiplicidade de informações, características da fase inicial cederam lugar ao abstrato, e com ele vieram as linhas gráficas revestindo a superfície de telas mapeando os suportes como segunda pele.
Considero de fundamental importância no meu processo de criação artística os esboços dos objetos. Os desenhos buscam a melhor adequação dos objetos aos suportes, em particular no que se refere aos manequins, e ainda permitem exercitar as possíveis soluções quanto a sua arquitetura. Neste sentido, são importantes também as pesquisas que venho realizando com o tecido visando obter a coloração e a consistência desejadas
para os objetos, utilizando tinta, pigmentos diversos e cola.
Esse processo, não linear, é desafiador. É um processo de construção/desconstrução que tem como referencial a roupa enquanto segunda pele. O produto do meu trabalho não tem compromisso com o utilitário, transcende a indumentária, revela fantasias e transita entre a tênue fronteira que separa o sensual e o erótico. É nesse contexto que venho trabalhando o corselete, utilizando diversas técnicas. Como observou a curadora Marisa Mokarzel, “índices de intensa sexualidade percorrem o universo feminino, cobrem de sensualidade as configurações arredondadas de seios e quadris que impregnam o corselete. A mulher ausente da peça exposta, virtualmente, impõe-se à forma”.
O meu fazer artístico está vinculado às influências do contexto social, econômico e cultural: a leitura que faço do cotidiano ( das mulheres, da periferia, das mazelas sociais, do descompromisso político) está expressa de uma forma ou de outra nos meus trabalhos, como mostrado nas individuais “Suburbano Coração”, “Espelhos da Alma”, “Nos Bastidores da Vida”, “Essência do Feminino”, “Nos Tempos do Apagão: aventuras e desventuras”, “Entrelinhas” e “Obsessão”, entre outras,
As minhas obras que serão mostradas na exposição “Eu e o Homem” foram produzidas com a utilização de papel de parede, tecido e caneta retroprojetor. Trata-se de um exercício na busca da harmonia entre cores, traços e suporte, e , ao mesmo tempo, uma proposta associada ao tema do Dia Internacional dos Museus no ano de 2010: harmonia social, conceito que tem como principais características “o diálogo, a tolerância, a coexistência e o desenvolvimento, baseados no pluralismo, diversidade, competição e criatividade”.
Belém-Pa, abril de 2010
Elieni Tenório
Artista Plástica
terça-feira, 7 de julho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Trajetória de uma artista
Além da linha do tempo, trajetória de uma artista
´´A arte nunca é casta e deverá ser afastada de toda a estupidez inocente``.
(Pablo Picasso)
Arte ou pornografia, sexualidade ou erotismo, obscenidade ou originalidade: não é possível distinguir entre uma descrição artística ou pornográfica se apenas nos referimos ao seu teor imoral. Por conseqüente, o que para uma pessoa constitui arte para outra é obra pornográfica. A mistura entre estética com a ética e moral acaba com qualquer tentativa no processo de classificação.
No Juízo Final, pintura de Michelangelo na Capela Sistina, a nudez não era considerada obscena durante a renascença. O papa Clemente VII, patrocinador dessa obra de arte, não viu nada de imoral na sua execução. Mas, o seu sucessor Paulo IV ordenaria a um artista que cobrisse as partes pudicas da obra.
A obra de Elieni Tenório não poderia fugir à regra, puta ou santa, louca ou sã, profana ou religiosa... Seu excepcional talento dedicado nas cores, traços e costuras, como uma fina estampa sobre a pele de suas telas e obras, com instrumentos artísticos usando o que lhe viesse parar nas suas mãos. Nas muitas das vezes utilizando uma simples agulha e linha ao invés de pincéis e tinta, costura esta que aprendera ainda criança, passada de mãe para filha.
Suas canetas, tintas, telas e papéis parecem atrair sua atenção com um poder irresistível. Sua preferência pelos temas subúrbio, família, amor, angústia e sedução, lhe deram pretexto de musa da arte de nuance sensual. Mas, nunca desiste do sonho de grande artista, um lugar imaginário onde tudo seja puro prazer no fazer de sua arte. A liberdade de expressão junto ao desejo, fascínio, felicidade, tristeza, sensualidade e vivência produziram nestes 20 anos de trajetória séries completas de desenhos, gravuras, pinturas, objetos, instalações, entre outros. Produções que revelariam uma nova atitude artística de expressão contemporânea que o seu trabalho chega atualmente, tradução esta representativa de um mundo próprio e particular.
Embora dêem a impressão de uma certa espontaneidade, a artista procura representar sensações, amor e sofrimento no qual a mulher é o principal ponto de interesse. O que é extraordinário na obra de Elieni Tenório, seu traço revela sua maestria de seu desenho, como
também patenteia uma obsessão erótica e uma liberdade sexual bastante desproporcional em relação à sociedade fechada e repressiva.
A arte para ela não é só um processo de relaxamento, mas, uma maneira de se expressar a si própria de uma forma espontânea e livre de constrangimentos e padrões, num mundo sem subterfúgios.
Além da linha do seu tempo, sua obra pertence...
Belém,(Pa). 01 de junho de 2009. (1:55h.)
do seu caro amigo,
Marco Antônio
Artista plástico e fotógrafo.
terça-feira, 2 de junho de 2009
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